Psicoterapia Positiva – com comentários do Arnaldo César Coelho

Continuando nossa jornada sobre a Psicoterapia Positiva, precisamos falar dos aspectos teóricos que estão por trás desta abordagem. E para isso, quero chamar uma pessoa que admiro: Arnaldo César Coelho, ex – comentarista de esporte.

Para que uma prática seja aceita no meio acadêmico e científico é necessário que sejam realizados testes, estudos, análises até que uma teoria seja validada. Arnaldo, o que você diz?  “A regra é clara, se pode, pode, se não pode, não pode mesmo”.

Por trás da Psicoterapia Positiva existem estudos embasados na Psicologia Positiva, carinhosamente apelidada de PP. A PP é um movimento dentro da psicologia que buscava respostas para entender o que faz com que o ser humano funcione de forma otimizado e tenha uma vida plena.

Arnaldo, o que me diz sobre isso: “Todo mundo sabe disso”.  Será meu caro amigo?! Vamos entender um pouco.

A Psicologia Positiva, como movimento científico, surge como uma oportunidade para que seja dada atenção a aspectos saudáveis e para desenvolver o que há de melhor nos indivíduos, instituições e sociedade[1].

A PP ganhou forças a partir dos anos 2000 quando houve um convite aos cientistas e psicólogos a pensarem no ser humano não a partir de suas patologias, mas sim partir de uma vida plena. Para encorajar os psicólogos e cientistas, Seligman e Czikszentmihalyi (2000) publicaram artigo Positive psychology: An introduction no qual comentam que “Psicologia não produzia conhecimento suficiente sobre os aspectos virtuosos e as forças pessoais que todos os seres humanos possuem”.

Esta negligência vinha desde a II Guerra Mundial, onde os estudos passaram a focar o tratamento e as patologias do pós-guerra. Inicialmente, a psicologia apresentava três áreas de pesquisa e estudos, ou missões[2]:

  1. curar as doenças mentais;
  2. tornar a vida das pessoas mais produtiva e feliz; e
  3. identificar e criar talentos.

Esse movimento de pensar se materializa com pesquisas sobre felicidade. Na Teoria sobre Felicidade Autêntica de Martin Seligman, Psicólogo e considerado o pai da Psicologia Positiva, o foco era a felicidade e o mecanismo de mensuração era a satisfação com a vida.  A felicidade era abordada nas seguintes variáveis: emoções positivas, engajamento e sentido”.

No entanto, é muito difícil definir e abordar a felicidade. Mesmo que com enfoque científico sempre haverá viés que pode comprometer a teoria. Novamente, Arnaldo nos lembra: “Mas todo mundo sabe disso”.

Então foi quando em novas pesquisas, pelos anos de 2011, Seligman comenta que o foco da PP não é buscar a felicidade, mas sim, o bem-estar. Ele comenta que “Bem-estar é um constructo, e felicidade é uma coisa”.

Bingo!

O bem-estar passa a ser observado como um construto que é tripartite: satisfação com a vida, emoções positivas e negativas. Ai começa os estudos e as escalas de pesquisa.

Deste entendimento, temos como passear pela PP como uma forma de entender e buscar mecanismos para melhorar o bem-estar, a satisfação com a vida e a qualidade de vida. Lembrando que o grande segredo da PP é fazer com que o ser humano viva uma vida plena, ou seja, tenha uma vida engajada, satisfatória e significativa.

Para alcançar este tripé e, por conseguinte, viver em bem-estar, Seligman apresentou a teoria do Bem-Estar. Para este autor, a teoria é estruturada no acrônimo PERMA para sintetiza: a) emoções/ pensamentos positivos; b) engajamento; c) relacionamentos positivos; d) sentido/propósito; e, e) realização.

As emoções positivas dizem respeito a “vida agradável”, pois estão associadas com aquilo que as pessoas sentem: prazer, entusiasmo, conforto e sensações afins.

O engajamento diz a entrega, sem se dá conta do tempo ou da atividade. Seligman associa ao estado de flow, uma característica que só pode ser mensurado após a sua realização e de forma subjetiva.

O terceiro item são os relacionamentos positivos, e Selgiman faz algumas explicações para concluir que o fato do ser humano ser um ser social as pessoas que constroem relações estáveis tendem a ter maiores qualidades de bem-estar.

O quarto fator é o sentido/propósito e esta variável se associa com a eudemonia, que tem a ver com o ser humano ter um propósito maior que ele mesmo.

Por fim, o último pilar do PERMA é a realização, cujo entendimento é a conquista ou a busca por ela, mesmo que isto não se converta ou gere emoções positivas, sentido ou relacionamentos positivos.

A realização é um vetor no qual ser humano se engaja no sentido de buscar, estar envolvido ou participar de algo que traga uma sensação de “vida realizadora” e estado de flow.  Portanto para Seligman, esses pontos não definem o bem-estar, mas o ajudam a compreender como preditores.

E onde entra a Psicoterapia Positiva?

Entra em entender o ser humano não a partir de suas doenças, mas sim em como ajuda-lo a ter uma vida plena melhorando seu bem-estar e qualidade de vida.

E como é uma sessão de Psicoterapia Positiva? Isso que abordaremos no nosso próximo encontro.

Saudações Positivas!

Saulo Kasakevitch e Luna

Fundador o Instituto Brasília de Positividade – IBSBP. Terapeuta Holístico, Administrador, com especialização em Gestão pela Universidade de Miami. Tem como propósito: ajudar pessoas a encontrarem seu equilíbrio emocional melhorando o bem-estar subjetivo e qualidade de vida. Atua com Psicoterapia Holística, Terapia de Florais de Bach, I Ching e Psicoterapia Positiva. Estudante de psicanálise clínica.

Fonte:

PALUDO, S. S., & KOLLER, S. H. (2007). Psicologia Positiva: Uma nova abordagem para antigas questões. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/paideia/v17n36/v17n36a02.pdf> Acesso em 02 de julho de 2017

SELIGMAN, M. (2004) Felicidade Autêntica: usando a nova Psicologia Positiva para a realização permanente. Rio de Janeiro: Objetiva.

SELIGMAN, M.(2011). Florescer: uma nova compreensão sobre a natureza da felicidade e do bem-estar. Rio de Janeiro: Objetiva.

SELIGMAN, M. e CZIKSZENTMIHALYI, M (2000). Positive psychology: An introduction. Recuperado em

https://www.researchgate.net/publication/11946304_Positive_Psychology_An_Introduction


[1] (Seligman, 2000; Seligman, 2011; e Paludo & Koller, 2007)

[2](Seligan 2000, apud Paludo & Koller, 2009)

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