PESO DA MOCHILA

 Após a conversa dura e ao mesmo tempo libertadora com o Gato de Cherise fique com suas últimas frases: “De nada adianta clamar por centenas de mudanças se você mesmo não faz o básico[1]. E “uma viagem de mil passos começa com o primeiro”.

Ao redor o trilho do trem e as trilhas das possibilidades. Comecei a caminhar. Mochila nas costas olhar ainda perdido e sem, ao certo, saber qual caminho ir.

Mas um incomodo comecei a sentir. O peso da mochila. Nossa! Como estava pesada. Uma mocilha que pareceia um poço sem fundo….

Após caminhar por algum tempo, o peso era surreal. A dor, o desconforto, a lentidão. Decidi então parar. Descansar e pensar.

Bom… ainda não sei aonde ir… então como saber o que vou precisar? Será que tudo que tenho e carrego na mochila será necessário? Pensei…. o que o Gato me falaria? Ou como ele me interpelaria…

Já sei que “não sei” não é resposta… e fiquei ai parado. No começo foi um descaso…. mas depois foi desconforto, medo e insegurança de abrir a mochila. Não lembrava o que tinha colocado….

Sentia apenas o peso… e o desconforto. Quando vi, já era noite. E eu estava paralisado e preso a um loopig de questionamentos, pensamentos e desculpas.

Eu não continuo porque a mochila é pesada. A mochila é pesada por não saber o que carrego. Não abro a mochila por não saber aonde ir…. e tela azul do Windows.

Enquanto eu estava perdido em mim mesmo escuto um barulho vindo do trem descarrilado. Pensei que eu era o único passageiro. Ainda bem que estava errado. Ao longe com um lampião na mão vinha um homem.

Quem vem lá, gritei. E o silêncio ecoou como resposta. O coração despara… a adrenalina sobe… o medo aparece. Novamente peguntei… Identifique-se.

E por sorte uma voz serena, porém rouca, e doce responde. Calma jovem. Venho em paz.

Meu nome é José de Drummond. Sei do que você está passando. Drummond escreveu um poema sobre mim.

Atônito fiquei. Estava a minha frente José… e lhe perguntei e agora José? Serenamente ele me fala: A festa acabou; a luz apagou; o povo sumiu; a noite esfriou; e agora, Jovem autor?

E ele continuou: você que faz versos, que ama, protesta? e agora… Pensei que ele ia continuar a recitar… mas ele parou e me encarou: E agora?

No silêncio da noite só se escutavam três coisas: os grilos, minha respiração ofegante e meu coração batendo forte.

José… disse, agora é continuar caminhado…ainda não sei para onde ir. Interessante ele me fala… não sabe aonde ir e carrega tudo isso! Me falou José.

Confesso que fiquei ruborizado, mas tentei manter a compostura. E em silêncio ficamos até o amanhecer. O sol dava seu primeiros raios quando me levantei e com dificuldade, e bota dificuldades, coloquei a mochila as costas.

Ele me falou… e agora? Vai realmente caminhar com essa mochila pesada?!

Disse sim… ela já está ai…então por que mexer? Com serenidade na voz ele me questionou… e por que não?

O silêncio voltou a reinar…. e após alguns segundos, que pareceram uma eternidade, tirei a mochila das costas e coloquei-a no chão e encarei-a. Algo me dizia… não abra.

Era José de um lado eu do outro e a mochila no meio. Ele com seu jeito simples e tranquilo. Eu, tenso e pensativo.

Eis que abro a mochila. Me senti abrindo a Caixa de Pandora…. a minha Pandora. Os medos, as aflições, as inseguranças, os bullying, os traumas, as críticas, as ofensas, as frustrações, os complexos, as rejeições a alma adoentada….. tudo isso estava la dentro. Um peso incomensurável.

Mas não foram os Deus antigos que as colocaram… fui eu. Não foram os Deuses que as criaram, alguns eu criei, outros me deram de “presente” e outros me “ensinaram”. Mas todos eu recebi, guardei, empacotei e guardei na mochila.

Mas havia algo bom no meio de tudo isso. Algo que eu não me recordava. Algo que estava tão escondido atrás de todas as minhas mazelas que me impediam de vê-la, sentí-la e acolhê-la.

Perguntei… e agora José?!

Lágrimas caiam dos meus olhos. Os medos afloraram. Os fantasmas voltaram. A insegurança se fez presente. A dúvida, então, nem se fala.

E as lágrimas escorriam. Rompendo o silêncio José fala: o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, Jovem autor?

Confesso que me faltaram palavras…. e Freud dizia: quando a boca se cala o corpo grita. No meu caso, tremia.

O sol estava mais forte e aquecia o frio que sentia. E novamente José de Drummond fala: Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, Meu Jovem! Jovem, para onde?

Atônito fiquei… Ele sorriu e disse a mocilha ta ai… o que você vai carregar na sua jornada, na sua caminhada? Sua Pandôra está aberta. Seus demônios liberados. Você não precisa mais carregá-los.

Ele sorriu novamente, me deu um abraço apertado e foi embora. Voltando a mim… gritei: E agora José?!

Ele respondeu cantando Whitney Houston: “It’s not right, but it’s okay; I’m gonna make it anyway; Pack your bag up and leave; Don’t you dare come running back to me”[2] (It’s Not Right But It’s Ok – Whitney Houston)

Pandora estava aberta. Agora era hora de reorganizar a mochila e partir.

Para onde? Sigam-me os bons e vamos descobrir juntos.

Até logo e Saudações Positivas.

SLUNA – Numerólogo, Terapeuta Integrativo e estudante de Psicanálise. Atuo com técnicas e conceitos da Psicologia Positiva integrando com os atendimentos integrativos. Meu propósito é ajudar homens e mulheres a encontrarem o autoconhecimento, o equilíbrio emocional de forma a melhorar o bem-estar e qualidade de vida.  Tenho como características positivas o bom-humor, otimismo, a escuta ativa e a generosidade. Meu mantra diário é exercer a gratidão e enxergar pontos positivos nos fatos e acontecimentos diários da vida. Nada acontece por acaso, se o universo nos conectou é por que precisamos aprender um com o outro.

[1] Fonte Livro pega a visão escrito por Rick Chesther 

[2] Isso não tá certo, mas tudo bem; Eu vou superar de qualquer forma; Faça suas malas e suma; E não ouse voltar correndo pra mim. (It’s Not Right But It’s Ok – Whitney Houston)

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