DESCARRILAMENTO

Era maio de 2021. Um ano ímpar de um mês ímpar. Era o meu mês de aniversário.  E eu estava anestesiado: o trem descarrilou. E eu não sabia se seguia no trilho ou buscava uma trilha.

Introspecção. Afastamento (isolamento) social. Impaciência. Compulsividade alimentar. Descontrole. Insônia. Apatia. Ansiedade

E eis que me vejo perdido. Sozinho em meio a uma multidão. Perdido em pensamentos. Perdido nas minhas reflexões…. ou perdido em mim mesmo. E, como em um círculo vicioso, tudo se repete. Um pensamento surgiu: O mês 5 na numerologia tem como aspectos de ser:

“um mês favorável para viagens, mudanças, liberdade e aventuras. É um mês movimentado, bom para novas amizades, para desfrutar de novas sensações da sensualidade e sexualidade. Bom para desfrutar os prazeres físicos, porém, isso pode também ser um delicado caminho para perdições viciosas. Bom período para exercitar a inteligência, a esperteza e a versatilidade. A agitação deste mês poderá insuflar a impaciência”.

Eu me sinto incapaz. Uma fraude. Um charlatão. Saio do trem….mas não sei se ele saiu de mim.

Olho ao redor e vejo o trilho do trem e a trilha das possibilidades. Olho para céu e vejo o azul, o sol ardendo forte.

Olho novamente ao redor. Lá está o trilho. Não sei aonde me leva, mas sei que é um lugar que alguém já foi. Digo isto por ele estar pavimentado, sinalizado, construído e funcionado.

Uma pergunta surge em minha mente: Para onde você vai? E quase que em uma conversa entre Alice e o Gato de Cherise surge o silêncio e depois o pensamento… não sei.

Não sei?

Não sei?! Como que o nobre viajante entra no trem e não sabe aonde vai ou em qual estação desce, disse o Gato!! Ainda atordoado com o descarrilamento e já com as bochechas coradas, não sei se pelo sol ou pela vergonha, fico olhando o trilho do trem e a trilha das possibilidades.

Não sei, voltou a dizer o Gato é a resposta mais fácil de dizer. É aquela que você não se compromete consigo. Não sei é a resposta que se da para perguntas complexas. Não sei é a resposta que se dá para conhecimentos que ainda adquirimos, para habilidades que ainda não testamos.

Não sei não é resposta. Você tem o direito de não saber. E está tudo bem. Mas não saber aonde vai, não é uma resposta….

Ainda mais corado, perguntei, então, o que é o “Não sei”? Rapidamente ele me disse. Uma covardia. Uma fuga. O trem que você estava descarrilou e nada, absolutamente nada acontece por acaso.

Pensativo disse… pois é…. se o universo nos conectou é por que precisamos aprender um com o outro. Mas o que?

Ele se aproximou de mim com um sorriso e disse: Para onde você vai?

Balbuciei um não sei… mas me calei depois. E imperou om silêncio ensurdecedor. Foram longos segundos e minutos. Até que eu o rompi.

Olha… eu me sinto perdido… o tem da vida estava me levando para as estações as quais eu já fui. Buscar empregos estáveis e que tenha uma aceitação social. Buscar ajuda para frear o descontrole alimentar para ter saúde e aceitação social e não sofrer bullying pelo peso.

Mas fui assim… sem pensar apenas entrei…. não estava certo aonde descer ou quando descer. Sabe a expressão “seguir a manada”…. assim que me senti.

Falei isso com uma vergonha, um olhar cabisbaixo, voz trêmula e olhos cheios d’água. Mas percebi que ao verbalizar isso algo começou a acontecer. O Gato de Cherise que antes estava com um tom de voz sério, um olhar ríspido e frio deu um grande sorriso e me abraçou.

Agora você sabe aonde está, ele me disse. Para onde você vai é muito importante. Mas reconhecer onde se encontra é necessário. Você tem uma linda e longa jornada ele me disse.

Qual caminho você irá seguir: O trilho do trem ou a trilha das possibilidades? Me perguntou ele.

Disse, não sei. E comecei a rir. Em seguida falei… essa é uma pergunta simples de ser feita, complexa de ser respondida. E concluí dizendo que há um poeta espanhol que diz que não há caminho ao viajante, o caminho se faz ao caminhar.

E ele me retrucou ríspido… De nada adianta clamar por centenas de mudanças se você mesmo não faz o básico[1]. E, por fim ele concluiu: uma viagem de mil passos começa com o primeiro.  Boa jornada.

Perguntei a ele se iriamos nos ver novamente… e antes de sumir ele respondeu rindo: não sei…

Peguei a mochila que estava comigo e fui.

Para onde? Isso te conto no próximo texto.

Até logo e Saudações Positivas.

SLUNA – Numerólogo, Terapeuta Integrativo e estudante de Psicanálise. Atuo com técnicas e conceitos da Psicologia Positiva integrando com os atendimentos integrativos. Meu propósito é ajudar homens e mulheres a encontrarem o autoconhecimento, o equilíbrio emocional de forma a melhorar o bem-estar e qualidade de vida.  Tenho como características positivas o bom-humor, otimismo, a escuta ativa e a generosidade. Meu mantra diário é exercer a gratidão e enxergar pontos positivos nos fatos e acontecimentos diários da vida. Nada acontece por acaso, se o universo nos conectou é por que precisamos aprender um com o outro.


[1] Fonte Livro pega a visão escrito por Rick Chesther 

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